14/10/2018 às 20h55min - Atualizada em 14/10/2018 às 20h55min

Projeto social voltado para crianças é sucesso em Espera Feliz

Projeto social voltado para crianças é sucesso em Espera Feliz
 
 
Neste dia 12 de outubro, Dia das Crianças, o Jornal Destaque Diário entrevistou a coordenadora Camila Rodrigues da “Associação Leleco para Crianças e Adolescentes”.
A instituição fundada em 2005, sem fins lucrativos, tem como finalidade atender crianças e adolescentes de 0 a 18 anos que se encontra em situação de risco ou vulnerabilidade social, pertencentes aos municípios de Espera Feliz, Caiana e Caparaó – MG, encaminhadas pelo Conselho Tutelar e Poder Público, enquanto aguarda decisão judicial.
 
O “Projeto Leleco”, como é conhecido na cidade de Espera Feliz, nasceu da iniciativa da cidadã, professora e mãe Mariena Labati Teixeira como forma de homenagear ao filho Leleco, que faleceu tragicamente.


*Foto da Fachada 

 
Conheça mais um pouco sobre a Associação Leleco, em entrevista exclusiva concedida pela coordenadora Camila Rodrigues
 
 
DD: Como é feito o acolhimento das crianças e adolescentes na instituição?
 
CR: Só tem duas formas das crianças e adolescentes serem acolhidas na instituição: através do Ministério Publico ou do Conselho Tutelar. Eles identificam a demanda, se a criança está em situação de risco, rompimento familiar. E tem também demais situações que levam as crianças a serem acolhidas.
 
 
DD: Quais são as atividades desenvolvidas na Instituição?


CR: A rotina da instituição funciona como uma casa. Uma de nossas metas é fazer com que se pareça com ambiente doméstico, e tirar essa imagem antiga de instituição, tanto que nossas cuidadoras não usam uniformes, não tem placas de identificação, por que isso pode gerar certo constrangimento pra quem tá acolhido. Queremos que nossas crianças sintam o ambiente igual ao de uma residência comum.  


 *Foto do dia da inauguração do novo lar para as crianças
 
DD: Como é o dia a dia das crianças e adolescentes?
 

CR: No dia a dia temos diversas atividades. Elas vão pra escola, tem aulas de Jiu jitsu, escolinha de futebol, temos parcerias com o Cras, Caec, Caps,  onde as crianças frequentam oficinas diversas, como por exemplo, desenhos, artes, corte e costura, oficinas de trabalhos manuais para assim se desenvolverem. Sempre pela manhã ou à tarde, tem uma atividade para fazer. E muitas brincadeiras também, sempre que tem uma folga, elas gostam muito de ir para a área de lazer. Nós procuramos oferecer que nossas crianças frequentem todos os espaços que a cidade de Espera Feliz tem, de conviver com a sociedade.  Porque algumas pessoas acham que crianças que estão em situação de acolhimento, têm de ficar trancadas aqui dentro, e não é assim. A gente prima à convivência com a comunidade. Tudo isso com muita organização. Como são muitas crianças, temos horários de acordar, estudar, refeições, banhos, brincar e dormir. 


 *Espaço Leitura
 
DD: Que Crianças e adolescentes poderiam ser adotados? E como funciona o processo de adoção?
 
CR: Processo de adoção é da seguinte forma, toda a criança que está em situação de acolhimento está sobre responsabilidade da presidente da casa (Idelci Cabral), que é a responsável Legal, junto à justiça (Juiz/Promotor), eles são os responsáveis legais. Toda a criança que está aqui tem uma guia de acolhimento, com número de processo. Para acontecer à adoção, o primeiro passo tem que acontecer a destituição do poder familiar. Isso só acontece quando a equipe técnica (Coordenação, psicólogo e assistente social) faz a aproximação de vínculo familiar, e quando eles percebem que junto com todas as redes de atendimento (Cras/Creas) que infelizmente foram esgotadas qualquer possibilidade de voltar a família, extensa ou a substituta (avós, tios, parentes), aí é solicitada a destituição do poder familiar, mas isso só quem pode fazer é o juiz, que avalia e dá a palavra final. Então, para acontecer à adoção, tem que se passar por todos esses processos, que pode levar anos. Afinal, anular uma certidão de nascimento é um processo muito difícil.
 
DD: O que acontece com o adolescente que vive e depende da associação, após completar os 18 anos?
 
CR: Após os 18 anos, o adolescente não pode ficar em situação de acolhimento. Durante o tempo que ele está aqui, nós tentamos prepará-lo para a vida adulta, desde as menores questões, quanto à rotina de uma casa, saber lavar, limpar, arrumar, tudo que geralmente aprendemos em casa. E também procuramos ensinar alguma atividade elaboral, através de cursos que depois ele vai poder sobreviver disso. E em contrapartida, as entidades encaminham de volta pra família.
 

 
 *Foto Internet
 
DD: Qual o papel da sociedade junto à associação? Há programas de participação, voluntários, doações e interesse em ajudar?
 
CR: Aqui, nós somos uma associação. Nós temos sócios contribuintes que nós ajudam mensalmente. A ajuda é a partir de 5,00 reais, valor mínimo e máximo não tem. Hoje temos aproximadamente 100 sócios. E temos parcerias com voluntários, como dentista, advogado, médico, pediatra, que nos atendem gratuitamente. Recebemos doações o ano inteiro, como brinquedos, alimentos, livros. Temos convênio com as três prefeituras (Espera feliz, Caiana, Caparaó) e com o Ministério Público com verbas repassadas a instituição. A comunidade católica tem uma caixinha que também doa todo mês. O pessoal da feirinha de rua, aos sábados, doam alimentos semanalmente. Enfim, temos muitos parceiros que nos ajudam a manter a casa. Qualquer cidadão pode se associar ao Leleco, toda a ajuda é sempre bem vinda. E claro, todo mês nós fazemos prestação de contas, com tudo legalizado e fiscalizado.
 

 *Foto: Almoço festivo preparado pela Coordenadora Camila no intuito de promover a socialização e o processo de humanização entre acolhidos, cuidadores e Equipe Técnica

DD: Quantas pessoas trabalham na Associação?

CR: Atualmente, nossa equipe técnica é composta por uma coordenadora, psicólogo, nutricionista, assistente social e 4 cuidadores, (2 por turno), somando assim 8 pessoas.

DD: Quantas crianças a Associação acolhe atualmente?
 
CR: A casa tem capacidade para abrigar até 20 crianças. Hoje nós temos oito, sendo que cinco são adolescentes. Toda a estrutura da casa foi construída também para atender a deficientes físicos.


Foto: Equipe Técnica da Associação Leleco participou nos dias 27 e 28 de Agosto de 2018 do I Simpósio de Psicologia da Zona da Mata organizada pela FACIG

DD: Alguma consideração final?
 
CR: O objetivo do abrigo é acolher, oferecer segurança material, segurança psicológica, e fortalecer o vínculo familiar. Depois que acolhemos as crianças e elas são atendidas, nós iniciamos o processo para que voltem as suas famílias. Hoje o abrigo é um enorme ganho para o município, a estrutura que nós temos, muitas cidades vizinhas não tem. A casa atende todas as especificações do Ministério Público, de acordo com o estatuto da criança e do adolescente.

 

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