09/03/2019 às 20h36min - Atualizada em 09/03/2019 às 20h36min

Jane Cherubim relata ao advogado sobre a agressão

Frente a frente pela primeira vez desde que ocorreu o crime que chocou o País pela brutalidade, a vendedora Jane Cherubim, relatou ontem a seu advogado, Bruno Gaspar, os momentos de terror que viveu na madrugada da última segunda-feira nas mãos do namorado, Jonas Amaral. 

Na segunda-feira, ao final do expediente, os dois entram no carro para irem para casa, porém Jonas seguiu para outro destino: o Parque Nacional do Caparaó, onde o pesadelo da vendedora teve início. “Em 20 anos de profissão advogando na área criminal, nunca advoguei em um caso com tanta crueldade, tanta barbárie. É um filme de terror”. Relata o advogado. 

Confira a entrevista do adovogado dada ao Jornal Tribuna.


Como ela descreve o que ocorreu da saída da choperia até o local do crime?

Bruno Gaspar Ela me falou que ele (Jonas) saiu com o carro e foi subindo em alta velocidade em direção ao Parque Nacional do Caparaó. Ela dizia: “Volta, volta”. E ele falava: “Não, agora a gente vai lá para cima, porque eu quero tirar a foto que você não quis tirar da gente lá dentro do bar”.

Quando eles entraram no carro, ele estava normal?

Não. Ela relata que ele passou aquela noite inteira nervoso, antipático com os clientes. Estava enciumado. O problema dele todo girava em torno de ciúme.

Ela diz se aconteceu alguma coisa naquela noite na choperia onde trabalhavam?

Não. Ele estava desconfiando de que alguém estava dando em cima dela ou que ela pudesse estar dando confiança para algum homem. Aí, ele ficou insistindo para ela sair da portaria, onde trabalhava, e ir tirar uma foto com ele lá dentro do bar, onde ele estava trabalhando. Ela falava: “Como eu vou tirar foto? Vou sair daqui da portaria para tirar foto com você? O movimento está grande, gente entrando e gente saindo. Não posso sair daqui agora”.

Ele pediu para tirar a foto durante o movimento?

Sim. Ele insistiu até o final, mas ela disse: “Jonas, não vou tirar foto forçada. Quero tirar quando for da minha vontade. Quero ir para casa. Estou cansada”. Nisso, eles saíram e ele a levou lá para cima (seguiu em direção ao Parque) e ele foi falando: “Agora você vai tirar a foto que eu tanto quis”.
Ela dizia: “Para com isso, para com isso, você está ficando doido” . E ele ia acelerando o carro. Aí ela falava: “O que você está querendo fazer, por que você está subindo?”.

E o que ele respondeu?

Ele disse: “Você vai saber já, já”. Ele ia acelerando e, na cabeça dela, ele iria pegar uma velocidade ainda maior para se jogar do precipício, porque lá a estrada é muito íngreme, cheia de precipícios e muito estreita. Ele ia fazendo curvas em alta velocidade. Desesperada, ela pediu a ele para voltar, porque não queria ir lá para cima e ele falava que não ia parar.

O que ela fez?

Achando que iria acontecer o pior, ela tirou a chave da ignição do carro em movimento e jogou a chave pela janela.

 

E o que aconteceu?
O carro deu uma travada no volante, deu uma derrapada e parou quase que na outra mão, virado ao contrário. Foi o último recurso dela. Ela falou: “Ou eu tirava a chave ou ia morrer”.

Ela disse o que pensava?
Ela só pensava nos dois filhos, de 20 e 8 anos. Ele (Jonas) ficou mais nervoso quando ela tirou a chave da ignição e o carro rodou. Nesse momento, ele se transformou em um monstro. Ele gritava: “Vai lá fora agora pegar a chave”.

A ordem foi atendida?

Ela respondeu: “Tudo bem, eu vou e a gente vai voltar para casa. Para com isso”. Aí, na hora que ela foi sair do carro, tomou o primeiro chute nas costelas. Ela saiu do carro cambaleando e o celular dela caiu no chão. Coincidentemente, foi na hora que o irmão, o Cleiton, começou a ligar, ligar, ligar.
E ela contou que, na hora que foi pegar o telefone para atender, ele (Jonas) veio por trás, tirou o telefone dela e foi com o pé nas costas dela. Ela estava de quatro no chão e ele deu mais uma pezada nas costas dela. Ali, ele começou a chutá-la e falava: “Acha a chave do carro, acha a chave do carro, sua cachorra”. Ele a xingava muito. Enquanto ela estava submissa, procurando a chave no chão, ele ia olhando o telefone dela, fotos, mensagens, procurando algo. Ao mesmo tempo, ele ia dando chutes no rosto, ombro, peito, bunda, barriga, em várias partes do corpo dela.

Ela chorava, gritava?

Sim. Ela relata que chorava, gritava, passou mal e teve falta de ar de tantos chutes. Ela implorava ainda: “Pelo amor de Deus, por que você está fazendo isso? Para de me agredir”. Nesse momento, ele disse: “Então, é isso que eu vou fazer. Eu não vou te agredir mais. Eu vou parar de bater, de te agredir, mas vou te matar”. Ela lembra ainda que ele a chutava e a arrastou por vários metros, a puxando pelos cabelos, braços e pernas. Teve uma hora que ele pressionou o rosto dela contra o calçamento. Desesperada, ela dizia: “Não faz isso, por favor. Eu tenho filho pequeno”. Ela diz que, a partir desse momento, não lembra mais de nada. Só acordou no hospital.

Foi usado algo para espancá-la?

Pelas lesões, ele bateu com algum instrumento contundente que a gente não sabe ainda qual é, algum pedaço de madeira ou de ferro.

Ela não tentou correr?
Eu perguntei a ela porque ela não fugiu, e ela respondeu: “Doutor, a cada passada dele, são três minhas. Eu ia correr como?”. Além dela ser muito menor, ela já estava em desvantagem, porque tinha tomado muitos chutes. Não teve força.

E o estupro, aconteceu?
Eu não perguntei do estupro e ela não falou nada. Agora, se ele a estuprou depois de desfalecida, só a perícia vai dizer.

Como ela estava fisicamente ao descrever tudo isso?

O olho dela ainda está muito desfigurado, inchado. Eu não quis entrar muito em detalhes, porque o psicológico dela está horrível. Mas, ela foi muito direta em tudo que declarou. Ela me aparenta ser uma mulher muito forte, guerreira. Eu falei que ela nasceu de novo, que Deus deu uma nova chance para ela viver. Disse ainda que, além do anjo da guarda que ela tem, ela ganhou outros dois de presente, que são seus dois irmãos, que a encontraram.



 
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