05/03/2019 às 15h07min - Atualizada em 05/03/2019 às 15h07min

Irmão da vítima dá detalhes que antecederam o crime

O crime de agressão que chocou Espera Feliz e região, gerou diversas teorias nas redes sociais. Uma cena de terror que se repete com diversos compartilhamentos da foto da vítima no Facebook, abre suposições de todos os tipos. 

A vítima, Jane Cherubim, saiu por volta de 3h da madrugada com o namorado Jonas Amaral, da cervejaria da família onde trabalhava no carnaval. Os dois estavam juntos há pouco mais de um ano. Depois de muita procura, ela foi encontrada pelos irmãos, perto de uma curva, seminua, desmaiada e torturada, na estrada que dá acesso ao Parque Nacional do Caparaó pelo Estado.

Nesta terça-feira(05), internada em um hospital de Carangola, ela ainda não fala, não enxerga e tem marcas de roxo por todo o corpo.

DEPOIMENTO

Sem conseguir dormir e tirar da cabeça as imagens da irmã, que achou estar morta de tão machucada, o empresário Cleiton Cherubim, conversou com a reportagem do site Gazeta Online sobre os detalhes que antecederam o crime, como a encontrou e como era a relação da família. " O cara era muito, muito atencioso. Só tinha um porém: ele era ciumento ao extremo! ”. Abaixo, Cleiton descreve o terror que ainda estão passando.

O que aconteceu?

Eles estavam trabalhando à noite junto comigo. A noite toda tudo indo muito bem. Quando perto de 3h da manhã, fomos embora. A gente desceu à direita para Espera Feliz e ele não desceu. Ele subiu para a Forquilha do Rio. A minha esposa comentou comigo, o que o Amaral iria fazer lá uma hora dessa?!.

Ele estava com sua irmã no carro?

Sim. Temos filmagens, temos tudo. Os dois saindo do trabalho e entrando no carro. Subiram para estrada do Parque. Aí minha esposa fez o comentário. Aquilo me preocupou. Resolvi ligar para minha irmã. Liguei duas vezes e ela não atendeu. Ela não era de fazer isso, aí que eu fiquei mais preocupado. Fui ligando, ligando e ele atendeu o celular dela. Muito nervoso, falando que ele tinha brigado com ela, e ela tinha jogado a chave do carro fora, que ele queria a chave para ir embora. Eu falei para ele se acalmar e perguntei onde ele estava. Ele disse que estava perto de Espera Feliz no asfalto. Eu falei que ia buscá-lo, ele disse que não precisava e imediatamente desligou o telefone.

O que você fez?

Virei o carro e fui para Espera Feliz. Rodei a cidade toda, fui na casa da minha irmã e ela não estava. Só estava o filho dela dormindo. Ele acordou e entrou comigo no carro. Fui à Delegacia de Espera Feliz e depois para a casa do pai do Amaral. Aí ele ligou querendo falar com o pai dele. O pai dele nervoso ficou gritando "Não faz isso não, Amaral, volta para casa". Eu acho que naquele momento ele já tinha confessado para o pai dele que tinha agredido a minha irmã. Eu voltei para Pedra Menina, mas antes disso chamei meu irmão no sítio dele. A minha esposa foi com o meu carro e eu no carro do meu irmão. Subi para a Forquilha do Rio. Quando estava subindo, encontrei outro funcionário que entrou no carro para ajudar a gente.

Cena de Horror

A gente andou uns quatro quilômetros subindo. Quando a gente saiu de uma curva, ela já estava espichada no meio da rua, toda ensanguentada, seminua, sem calcinha, toda ralada, o rosto todo deformado, sangue, a orelha dela toda inchada, cabeça toda cortada, com unhas arrancadas. Toda destruída. E o carro dele estava logo a frente abandonado. Eu acho que ele achou que ela estava morta, colocou ela no meio da estrada, perto de uma curva, para alguém vir de carro, não ver e atropelar. Mas Deus foi tão bom que eu achei ela. Coloquei ela no carro e levei para o Hospital.

Ela estava acordada? Conseguiu falar alguma coisa?

Não. Ela não tinha como falar. Ela estava desmaiada. Nem hoje ela consegue falar. Ela está com o nariz quebrado, boca toda cortada. 

Ele já tinha algum histórico de agressão, algum comportamento estranho?

Não. A gente abraçou ele na família como se fosse um irmão. O cara era muito atencioso. Só tinha um porém, ele era ciumento ao extremo. A gente ouviu dizer que ele já bateu em outra mulher, mas não sabemos se é verdade.

O que você sentiu quando viu a sua irmã naquela situação?

Simplesmente achei que a minha irmã estava morta. Senti uma aflição muito grande. Minha irmã estava toda ensanguentada. Foi a coisa mais horrível que aconteceu na minha vida. Não consegui dormir. Aquele filme fica na minha mente. A única coisa que pensei foi em pegá-la e socorrê-la. Levamos para o Hospital de  Espera Feliz e hoje ela está em Carangola.

Qual o estado de saúde dela?

Estável. Ela não conversa, respira por aparelho e não enxerga. Está com o nariz quebrado e o pescoço todo roxo. Não tem uma parte do corpo dela que não esteja roxa ou ralada. É difícil demais.

INVESTIGAÇÂO

A polícia encaminhou à justiça o pedido de prisão de Jonas Amaral pela suspeita de ter espancado a namorada. A briga teria sido motivada por ciúmes. De acordo com o Delegado Ricarte Teixeira, um dos irmãos da vítima acompanhado de um advogado foi ouvido e contou que a briga pode ter sido motivada por ciúmes. Quem tiver informações sobre o paradeiro do Jonas Amaral, pode entrar em contato pelo Disque-Denúncia 181.

Entrevista e Texto:
Geizy Gomes - Gazeta Online
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