27/04/2021 às 18h22min - Atualizada em 27/04/2021 às 18h22min

Vereador em Minas abre caixão lacrado com facão: "Isso aqui não é Covid"

Caso viralizou nas redes

Wilian Faria (PT), vereador da pequena cidade de Santa Bárbara do Leste, localizada na Zona da Mata mineira, causou espanto nas redes sociais após abrir, com a ajuda de um facão, o caixão de um idoso que havia morrido com suspeita de coronavírus. De acordo com o parlamentar, foi uma falta de respeito a vítima não ter tido velório, já que não havia comprovação de que estaria com a doença. O caso viralizou nas redes sociais e na mídia mineira. 



Entenda

José Vieira do Carmo, de 92 anos, deu entrada no hospital Casu – Hospital Irmã Denise, em Caratinga, na mesma região, com sintomas gripais. Infelizmente, ele morreu na madrugada desse último domingo (25).


Conforme sua filha, de 32 anos, contou à polícia, a família acionou uma funerária para que o corpo fosse retirado da unidade hospitalar e fossem feitos os serviços de praxe. Na manhã daquele dia, o caixão chegou ao cemitério municipal de Santa Bárbara do Leste todo lacrado, como se o idoso tivesse suspeita ou confirmação de coronavírus.


Entretanto, em seu atestado de óbito, não havia nenhum dado a respeito de Covid-19. O fato gerou a indignação de familiares, que não puderam se despedir do ente de uma maneira "digna" e, no caso, também do vereador da cidade, que tem aproximadamente 8 mil habitantes. Ele foi ao local e abriu o caixão para confirmar que havia um corpo lá, mas nenhuma informação sobre a doença.
"Isso aqui não é Covid. Isso aqui é financeiro. Cadê a coroa de flores desse cidadão? Você está vendo porque não querem que abram os caixões? Isso aqui é uns desrespeito com o ser humano", disse Faria.



Versão


Conforme o dono da funerária disse à Polícia Militar, quando seus funcionários foram buscar o corpo no hospital, este já estava embalado e lacrado, conforme normas do Ministério da Saúde, já que ele morreu com sintomas que poderiam ser de Covid-19. Portanto, a empresa não poderia fazer nada a respeito, apenas entregar o caixão no cemitério.


Segundo a enfermeira chefe do hospital Casu, o idoso deu entrada no local, vindo da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Caratinga, já intubado e com sintomas de coronavírus. Teria sido feita a coleta para exame de diagnóstico, mas como o resultado não ficou pronto a tempo, ele precisou ser tratado como caso suspeito.


Sobre no atestado de óbito não estar escrito isso, apenas insuficiência respiratória aguda, de acordo com orientações do governo federal e da Vigilância Sanitária é necessário fazer o isolamento do corpo para não ter risco de contaminação.



Investigação

O presidente da Câmara Municipal de Santa Bárbara do Leste, Altair do Silon (MDB), afirmou nesta segunda-feira (26) que a Casa irá abrir uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o ato do vereador. Ele classificou a atitude como lamentável, "A Câmara Municipal esclarece que a conduta do vereador será devidamente investigada por uma CPI", afirmou. "Tão logo o processo seja concluído, daremos um maior esclarecimento sobre as medidas adotas em razão deste lamentável evento", completou o presidente.


A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) deve investigar o caso. Como Wilian Faria rompeu o lacre do paciente que pode ter morrido por Covid-19 na presença de diversas pessoas, ele poderá responder pelos crimes de infração de medida sanitária preventiva e violação de urna funerária.


Afastamento do partido

 
Nesta terça-feira (27), o PT, partido do vereador William Faria emitiu nota sobre o caso. A sigla pontuou que o parlamentar foi afastado do quadro da legenda após o episódio.
 
"Num dos momentos mais delicados vividos por toda a população mineira e brasileira em função da pandemia do novo coronavírus, a atitude do vereador representa uma ação violenta e desnecessária, além de ser uma grave ameaça à segurança sanitária.

Após o afastamento, o vereador responderá no Conselho de Ética do PT-MG, como determina o estatuto partidário, em um processo que poderá culminar com a sua expulsão", pontuou o PT em Minas.


Por GABRIEL MORAES - O tempo

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